Tô sofrendo por uns idiotas, estava acostumada a ser amada e respeitada, a receber suas visitas imprevisíveis e a ganhar o seu amor, doce. Confesso que curti umas noites, uns corpos, mãos e beijos, curti alguns momentos sim, mas depois que os caras se vão ou me trocam ou me esquecem, eu lembro de você, você é o meu cara, o cara, o da vida, o pra vida inteira. O único que em mim ganhou encanto duradouro, que persistiu em meio a feitiços passageiros. Mesmo você tendo pés de gremmilins e a sua mãe cortando o seu cabelo do jeito errado roncando e colocando a culpa em mim e dando bufadas desnecessárias em desagrado a algumas coisas que eu dizia:
"Te queria."
Por mais que você seja confuso e estúpido, você segue sendo o tal, o meu tal. Por mais que eu seja confusa, eu sei que ainda te quero, que se tivesse que escolher você em meio a multidão, te escolheria, vendada. Você é minha agulha no palheiro. Eu te achei e você me achou, mas a gente se perdeu de um jeito tão perdido que nem respostas ou explicações eu consigo encontrar. Já sei que é chegada a hora de você deixar de ser quem é na minha vida, e eu me esforço. Procuro qualquer pedaço meu em ruas que eu nem sei como voltar e em pessoas escolhidas erroneamente, só pra ter meu eu de volta. Só pra ser quem eu sou de verdade e que só consigo ser com você: espontânea, apaixonada, sem receios pra qualquer salto se dado juntos. Pra ser uma nova eu e deixar essa postura de museu, vivendo e se alimentando do passado.
Por isso te perdi, te deixei em algum lugar que eu não quero encontrar, que eu não faço questão de saber. Porque te amar feriu o ego querer te ter só me enfraqueceu e jogou na lama e por mais feliz que eu possa ter sido ao seu lado, é preciso deixar essa lembrança virar pó, mera recordação. Infelizmente tenho que abrir mão de você e da ideia de amor da minha vida, vai que não sejamos feitos um para o outro? Cansei de segurar a barra sozinha. Por mais que parta o coração, já partido em mil pedaços e hoje colado cheio de ranhuras eu faço, eu desisto. Triste pra caramba, pois não importa o número de caras e as ações meigas e apaixonantes, ponho a cabeça no travesseiro, fecho os olhos e espero que ao abrir seja você. Você é o idiota que mais valeu a pena que quando eu fazia algo para depois me sentir idiota, recompensava na mesma moeda, igualava.
Demorei um ano para conseguir te soltar uma mão inteira e finalmente o seu último texto chegou, o que é triste demais pra ser verdade. No entanto é impossível seguir investindo em uma relação que não agrega lucros e só me deve. Mudamos amor, e o amor também. Não tratei tuas feridas e você não me protegeu na tempestade não aproveitei dos teus sorrisos e nem fui soma na tua alegria, você não esteve presente nas minhas vitórias. A distância nos enfraqueceu e a ausência um na vida do outro soube nos desconectar. Me despeço de você para encontrar um novo você, pra ser amada por outra pessoa e me permitir isso. Para que eu possa encontrar algum sorriso que desande o passo do coração e algum olhar que desfaça qualquer ruguinha de braveza no meu rosto. Tô fechando a porta pra você e abrindo janelas pra quem quiser entrar. Tô deixando você ser feliz seja lá com quem for, e não sofrer adoidada por isso. Quero a liberdade desse amor que só agrega tempestade e não mais trouxe bonança, quero te libertar da obrigação de ter cuidados para comigo:
"Pode viver sua vida, não sofro mais."
Foi o adeus mais difícil de ser dito mesmo que para o vento, mas eu precisei aprender. Seguir em frente dói, saudade tortura, mas a gente acostuma e acha no caminho motivos que valem sorrisos. Como tudo é possível, não ignoro a chance de que um dia tua magia desperte a paixão velada em meu peito, mas hoje faço minhas escolhas:
"Um passo a frente e um novo amor, por favor."

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